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Dona Colatina

 

Dona Colatina era paulista, nascida a 24 de novembro de 1864. Era filha de Sebastião José Rodrigues de Azevedo e de dona Colatina Soares de Azevedo, filha do capitão Joaquim Celestino de Abreu Soares, Barão de Paranapanema, e de sua primeira esposa dona Joaquina Angélica de Oliveira, descendente do cavaleiro fidalgo da casa de el-rei de Portugal, D. João III, que foi Antonio de Oliveira, 1º Feitor da Fazenda Real da Capitania de São Vicente, por mercê real de 1537, loco-tenente do donatário Martim Afonso de Souza.

Era uma bela jovem e já solteira dominava os idiomas alemão, francês e italiano. Também aprendeu música com um dos maestros mais famosos da época, Girondon, e participou cantando de muitos saraus nos palácios em São Paulo, na administração do então governador (presidente do Estado) Florêncio de Abreu.

 


O casamento aconteceu em 28 de janeiro de 1882, com José de Melo Carvalho Muniz Freire, que participou da política capixaba tão intensamente que acabou tornando-se presidente do Estado por duas vezes, de 1892 a 1896 e de 1900 a 1904. Tiveram 10 filhos: Izilda, José de Mello Carvalho Muniz Freire Filho, Alarico, Átila, Genserico, Olga, Dora, Ragadázio, Manoel e Ilma.

Foi homenageada com o nome à Vila de Colatina, a 9 de dezembro de 1899, pelo desembargador Afonso Cláudio. Em discurso, ele disse: "Esta homenagem à paulista, certamente, tornará próspera a futura cidade".

 

Uma medalhinha de Sorte

A revista do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo (IHGES), de 1961 e 1963, em homenagem ao centenário de aniversário de Muniz Freire, publicou uma história sobre ele e Dona Colatina. É um discurso, no IHGES, de José Paulino Alves:
"Dona Colatina, sua virtuosa consorte, mulher de progênie ilustre, de boa cepa, vinda de São Paulo, era católica... Não muito apegada ao culto; mas católica, sobretudo, por tradição de família.

Na vida dela, sempre escorreita, e já, agora, enobrecida, na vivência conjugal, não haveria jamais passado, quente e maléfico, influxo da descrença. Vida sempre adornada de virtudes, desde os tempos de colégio, nunca sofreram o assédio da dúvida, que atormenta. Católica; educada no temor de Deus, que, como é das letras sagradas, se insinua feito princípio da sabedoria, (initium sapientiae, timor domini) - Dona Colatina, vez nenhuma tivera hesitações... Carola não! Nada de apego à má parte, aos excessos de devoção; mas, em tudo, muito equilíbrio, como grande mulher paulistana que o era.
Possível fora que jamais sofresse as crises interiores, - crer ou deixar de crer _ nesse estado de inquietação possível, que maltrataram sempre, com uma ou outra das alternativas... Às vezes, a cultura ocorre, como processo desagregador. E dói, dói muito... Ma era católica. Católica, desde o berço. Era católica, e católica continuava a ser... Havia um dia, no ano em que não deixava de ir à igreja: adoração do Santíssimo (Quinta-feira Santa).

Dona Colatina tinha uma medalhinha da Virgem, medalhinha toda de ouro maciço, presente da avozinha dela. Quando o Dr. Muniz Freire viajava, fazia questão que levasse consigo essa peça de metal, intrínseca e extrínsecamente preciosa, para o proteger. O Dr. Muniz Freire sempre dizia que sim. Assentia, sempre a sorrir. E, quando voltava das viagens, que, quase sempre, eram de curta duração, não deixava de dar benevolente grado à fortuna; graças à fé, aquela fé, afervorada e bela, sempre o céu se lhe mostraram propício.E, como era nobre, corretíssimo, na maneira de agradecer à espôsa tanta ternura e tantos cuidados!

Duma feita, porém, saiu com o Dr. Inácio F. de Oliveira, para inspeção às obras da Estrada de Ferro Sul do Espírito Santo, fulgurante iniciativa do seu governo. Esquecera-se de pedir a medalhinha... Já quando se encontrava no Cais do Imperador, para tomar o barco que o devia transportar ao continente, eis que lhe vem à lembrança... E a medalhinha? Mas Dona Colatina não houvera esquecido: trazia-a consigo. Entregou-lhe. E, beijando-a com enternecido afeto, o Dr. Muniz Freire modalizou a voz na inflexão necessária à ênfase do que dizia:
- És santa, Colatina! Santa Colatina, sem dúvida!

Era assim o Dr. Muniz Freire; homem que a natureza singularizou de dons; era assim à Littré: culto, nobre, delicado..."

 
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